Viagem do Conhecimento

Voltando para casa com meu irmão em um domingo sem graça por diversos motivos, meus pais, como imaginava, não estão em casa. Retomo minhas atividades normalmente, ligo o computador, verifico algumas coisas… Quando minha mãe chega, pergunta se alguém ligou e eu digo que não. Alguns minutos depois o telefone toca e ela me manda atender: “É a Vitória? Vitória, aqui é a Gabi e eu trabalho na Viagem do Conhecimento. Você fez a prova, o Desafio?” “Eu fiz…” “E você lembra se foi bem? Lembra do seu desempenho?” “Eu… ah, eu até que fui bem… mas… é muita concorrência, né? São muitas pessoas inteligentes, o Brasil é muito grande… nossa, é, fui bem, mas é bem concorrida mesmo” “Vitória, você é uma das finalistas do Desafio National Geographic!!” “Eu…? Aaaaaaaaaahhh… Eu sou…? Meeeeesmo? Aaaaaaaaaaaahhhh…” Olho ao meu redor e vejo minha mãe me olhando como quem já sabia de tudo, porque a Gabi tinha ligado antes, quando estava na escola dando aulas no Clube de Matemática, um assunto pra outro post. Bem, eu não sabia o que fazer, se ria, se chorava, se gritava… o que eu devia fazer? Aliás, ainda estava ao telefone, e fiquei mais uns 20 minutos lá depois disso, hahaha.

Começo a falar – provavelmente frases inacabadas e sem muito sentido – com a voz entrecortada, misturando todas as minhas emoções. “Vitória, você tá chorando??” “Eu… acho… que to, haha” “Vitória, aproveite esse momento, como está a sua família? Pode comemorar!” É, eu realmente precisava dessa autorização!

E foi assim. Tinha feito a prova no começo do mês e os resultados sairiam no site na próxima terça-feira. Queria ver os nomes que estariam lá, com o mínimo de esperança possível de o meu estar entre eles. A esperança era pouca realmente por causa da concorrência, além de que eu tinha comparado respostas e textos com alguns amigos e imaginava que qualquer um tinha mais chances que eu.

Por pouco eu deixaria essa prova passar, porque a escola arranjou transporte de última hora… Participei do Desafio pela primeira vez em 2011, na 8ª série, cheguei à fase regional, mas… apenas à regional. Isso foi bom, adquiri bastante experiência. Certa vez vi o vídeo da fase final e fiquei muito admirada, queria muito estar entre aqueles 20 alunos (que com o tempo passaram a ser 13), mas parecia muito utópico… Voltei a fazer a 1ª Fase no ano passado, 1º ano do EM. Sendo classificada, tinha as férias todas para estudar, já que a fase regional seria só em março do outro ano. Embora tenha estudado um pouco do conteúdo de geografia, sabia que esse não era o foco, então li algumas reportagens da Revista National Geographic e procurei me manter por dentro das atualidades. O que me garantiu mesmo na final foi a minha redação.

Bem, voltando àquele domingo, a Gabi disse que enviaria um e-mail com mais instruções no dia seguinte. Eis que tinha uma olimpíada naquele dia, um motivo para esfriar minha cabeça… ou não. Comecei a procurar provas reais (estou falando sério) de que não estava vivendo um sonho, e isso até foi bom porque me lembrou do que li em O Mundo de Sofia, um de meus livros favoritos. Certificada de que era realidade, talvez aquilo fosse trote… Realmente, aquela Gabi era simpática demais! E esse e-mail não chegava nunca…

Volto da olimpíada que tive já à noite, e advinha? Lá estava o e-mail, exatamente na caixa de spams! Ufa, não era um trote!

Aquele um mês (sim, por isso digo que a Viagem do Conhecimento é a olimpíada mais organizada da qual participei, fomos avisados com um mês exato de antecedência!) foi ao mesmo tempo demorado e rápido. Demorado porque eu estava muuuuuuuuuuuuuuuuuito ansiosa para conhecer tudo e todos. Rápido porque queria conhecer bastante o Rio de Janeiro e todas as edições anteriores da Viagem do Conhecimento antes de ir para lá, e realmente era muita coisa!

Antes de irmos, fizemos vídeos. Lá, fizemos Diários de Bordo; tudo para deixar a experiência visivelmente registrada. Tudo foi maravilhoso e só me dei conta de que tudo aquilo era real quando olhei pela janela de meu quarto no hotel e vi aquele movimento característico do Rio: táxis amarelos transitando, pessoas atravessando as ruas em conjuntos, prédios altíssimos juntos a arquiteturas clássicas e uma breve vista para o mar. Falando nisso, foi divulgado o vídeo em que o Laurentino Gomes leu para nós um trecho de 1889, uma ótima lembrança.

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